Quando criança, ganhei de meus pais uma marionete, esses bonecos cujos braços e pernas são presos a cordas pelas quais podemos controlar seus movimentos. Eu me sentia brincando de Deus, podendo decidir os passos daquele ser que, por vezes, esquecia se tratar de um objeto inanimado. No entanto, minha pouca habilidade com esses tipos de brinquedos manuais fez com que as cordinhas se embolassem de forma a nunca mais se soltarem - o que me faz pensar que, como Deus, provocaria muitos terremotos nesse mundo. Dei de ombros para a marionete, certo que muito mais fácil seria controlar as minhas próprias cordas. E segui a infância carregando esse pensamento, sem saber - pobre criança inocente - dos milhares de nós que precisamos desembolar durante nossa vida.



28 de Maio, 2008 às 8:34
Quando crianças, não sabíamos ao certo valorizar a vida que tínhamos. Queríamos sempre viver como os adultos a semelhança de nossos pais. Queríamos crescer depressa para poder usar sapatos de salto, bolsas,maquiagens, sutiãs, fazer a barba e o bigode, completar 15 anos (para ter aquela linda festa de debutante), completar os 18 anos para tirar a carteira de motorista e, mais um ano depois, ingressar na faculdade (principalmente se fosse em outra cidade para construir a independência). Mal sabíamos que todas estas fases chegariam tão depressa e com elas, seus inúmeros nós. Como eu gostaria de poder viver agora a magia de controlar as marionetes ao invés de mim mesma!
28 de Maio, 2008 às 16:20
Eu tinha uns fantoches que adorava, feitos de panos, guardei-os durante muito tempo, mesmo quando ficaram sem olho, boca, nariz, e já não era possível identificar se era um coleho ou um castor.
A sensação de dar vida a algo inanimado é realmente hipnotizante…