Idolatria: eis a questão

Terça-feira, 24 de Junho de 2008 ás 18:01:21

Escrito por: Renata Giordani

Idolatrar uma pessoa famosa antigamente não é o mesmo que hoje em dia. Sempre escutei de meus pais e de algumas pessoas que viveram os anos 50/60/70, que os artistas idolatrados nessa época eram ícones que tinham um ideal de vida a ser seguido. As pessoas se identificavam por determinado artista pelo seu ideal ou atitude de vida, talvez pelo desejo de mudar o mundo depois de anos de repressão.

Hoje em dia, o que a maioria da garotada quer é apenas se divertir. Colecionam pôsteres, vão aos shows de seus ídolos, se sacrificam por um autógrafo ou um beijo e perdem a voz de tanto gritar o nome do artista. Depois vão para casa e, no outro dia, provavelmente já estão idolatrando uma outra pessoa.

Uma edição especial realizada pela Revista Veja diz que a idolatria juvenil é despertada já entre os 13 e os 15 anos, com “a descarga de hormônio no sistema nervoso central”. A diferença é que, no passado, os ídolos serviam para definir turmas e posavam de guardiões de determinados valores. Quem era fã dos Beatles, que representavam a rebeldia, não podia ser fã dos Rolling Stones, que representavam uma rebeldia ainda maior. No Brasil, quem curtia a jovem guarda, por exemplo, não freqüentava shows dos tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil, e vice-versa.

Recentemente, eu a Letícia e a Ana Maria fomos à gravação do Programa Don & Juan e a sua História, da TV Alterosa, e pudemos perceber de perto como a mídia também estimula à criação de um ídolo. Os próprios artistas cumprimentavam e reconheciam algumas pessoas que são figurinhas carimbadas nas gravações, com direito a fã clube. É notável que o programa televisivo fez crescer a visibilidade midiática e, com certeza, o número de fãs. Eu, particularmente adorei o show. O nível profissional dos músicos e estilo de música me agradou muito. Constatamos que a história de vida deles reflete uma longa caminhada musical, o talento e a persistência para chegar hoje onde eles estão. Não tenho nada contra as pessoas se tornarem famosas, não é isso! O que me deixa intrigada é como as pessoas, geralmente a juventude de hoje, não tem mais um ideal, refletido tanto na escolha de um ídolo quanto no consumismo e na atitude de vida.

Os psicólogos são unânimes em afirmar que a idolatria é muito comum entre os jovens por estarem em uma fase marcada por mudanças, em que o ídolo é uma espécie de porta-voz. No entanto, quando a idolatria vira obsessão, a ponto de os adolescentes deixarem as responsabilidades de lado, os pais devem bater um papo com os filhos e explicá-los de que cada pessoa tem o seu próprio valor e que não é preciso imitar ninguém para se conseguir alguma coisa na vida.



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