Estamos participando da 5ª rodada da Ciranda de Textos proposta pelo blog do Marcelo Sander. O tema da vez é a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proibiu a utilização livre da internet para propaganda eleitoral nas próximas eleições municipais brasileiras. Mais detalhes sobre a lei aqui.
Essa decisão me fez pensar para além da proibição ou liberação do uso da web na candidatura política. Ainda que a proibição vá diminuir o número de spams recebidos, ela fecha a porta para um mercado e uma discussão importante: o uso da internet no processo eleitoral. Afinal, o mundo digital permite que o candidato fale não só “para”, mas “com” as pessoas. Ainda que essa interatividade seja possível também no site do candidato, esse contato seria potencializado se bem utilizadas outras ferramentas disponíveis.
O problema é que nem sempre é feito o bom uso dessas ferramentas e acredito que muitos candidatos não entenderiam que mandar spams por email ou no Orkut causa um efeito totalmente oposto ao proposto: deixam qualquer um muito irritado. No entanto, os candidatos que usassem essas tecnologias de maneira burra logo seriam excluídos ou esquecidos do rol de bons políticos.
De uma forma geral, o importante é usar a internet com inteligência, mas o TSE não deu essa oportunidade. Se pegarmos como exemplo a campanha americana de Barack Obama e John McCain, é possível perceber que a internet tem papel crucial. Os dois sites possuem espaços para que os internautas façam doações online. Obama já consegui, até agora, mais de U$50 mil. Em seu site também é possível participar de uma rede social chamada “MyBo”, uma espécie de Orkut para quem apóia o candidato. Além disso, tanto Obama quanto McCain têm canais no Youtube e vídeos com milhares de acessos.
Isso mostra que, mais do que nunca, as pessoas buscam informações na internet. Assim, acredito que a ação do TSE protege os cidadãos de propagandas indesejáveis, mas também limita os espaços onde entrar em contato com as diretrizes de cada candidato. E no final das contas, a questão era só regulamentar esse uso…



01 de Julho, 2008 às 11:41
Uma coisa é certa: a lei não vai impedir que propagadas eleitorais sejam feitas fora do site do candidato, pois elas podem muito ser produzidas por outras pessoas fora do partido. É impossível frear qualquer ação na internet, seja troca de música, de vídeo ou campanha eleitoral. Novos tempos, outra forma de interagir com o mundo. Não há como aplicar o mesmo olhar antigo sobre essas novas questões. Mas o debate é necessário, certamente.
01 de Julho, 2008 às 11:43
Entender o exercício da liberdade que a Internet possibilita e perceber que a comunicação hoje é torneada por uma nova configuração - que prevê a participação ativa dos sujeitos sociais (no caso das eleições: candidatos e eleitores) É essencial e urgente. Ainda estamos engatinhando, mas acredito que estamos no caminho certo. E que vale a pena!

01 de Julho, 2008 às 16:19
Acho meio contraditório propor controlar uma terra sem lei e sem dono como é a internet!! Como querem ditar regras tão duras num espaço tão democrático??? Acho ainda que a Justiça Eleitoral precisa se readequar às novas tendências e entrar na onda da web 2.0
02 de Agosto, 2008 às 12:26
O meu site http://www.planetariobranco.com.br com um mural de recados onde a população postava livremente foi paralisado e ainda recebi uma multa de mais de 22 mil. Não sou candidato, não faço parte a nenhum partido, não sou agente público. A ditadura já está atuando em nosso país. A liberdade de expressão não existe mais, somos todos criminosos aos olhos da lei.