Tive um daqueles encontros que não sairão tão cedo da minha memória. Foi com o professor Clovis de Barros , da USP , escutando uma palestra. No meio de tanta mesmice, a fala dele foi como “um sopro de vida”.
Com sua voz forte, sotaque paulista, 1,80 m de altura e vociferando suas idéias, entremeadas com um senso de humor oportuno e moderno, ele quebrou tudo, tudo mesmo!! E isso é que foi sensacional, ouvir alguém refletindo sobre ética, sua especialidade acadêmica, sem hipocrisia.
Para ele a empresa precisa de um discurso identitário, assim como todos nós, e é na construção deste discurso que ela, a organização, diz o que ela faria e o que ela nunca faria, estabelecendo aí uma fronteira ética. É pela ética que dizemos quem somos e o que nunca seremos. Seguindo sua linha de pensamento o professor Clovis critica de forma mordaz o conceito de “transparência” . Ora, transparência é o atributo do vidro ideal, perfeito, portanto a metáfora é cinica ou alienada. Porque quando exigimos a transparência de uma empresa, exigimos o PH7, a imparcialidade, e isso não é possivel, é irreal. O mundo não se deixa comunicar como ele é, o que vemos é uma representação dele. isso foi só uma palinha da palestra dele , ele foi muito mais profundo do que meu espaço aqui me permite ser, eu só queria deixar essa idéia no ar e possibilitar que vocês conheçam esse sujeito sensacional. Vou passar para vocês o e-mail dele, espero que ele não me mate, mas afinal, ele abriu para todos os presentes da platéia, sendo assim ai vai cbarrosf@usp.br .


05 de Maio, 2008 às 18:28
Claudinha, ética merece mais posts por aqui! É tão engraçado como, naturalmente, as pessoas costumam confundir esse termo com tantos outros que podem até estabelecer um diálogo com a ética, mas jamais serão sinônimos para ela. adorei, queria saber mais sobre o professor Clóvis!
06 de Maio, 2008 às 15:40
Pois é Cláudia, ser tranparente aqui no Brasil é algo que nos custa caro. Esse tema me faz lembrar uma peça do Grupo Trama que assisti anos atrás, no Cine Horto Galpão, “O homem da cabeça de papelão”. Conta a história de Antenor, que era rejeitado pela sociedade pq não sabia mentir, dizia apenas a verdade … http://grupotramadeteatro.com.br/v01/index.php?option=com_content&task=view&id=15&Itemid=32
Aproveitando a discussão deixo aqui uma pergunta referente ao caso do coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia http://www.uai.com.br/em.html.
As declarações dele, são acusadas de racistas. Vc concorda?
07 de Maio, 2008 às 10:52
07 de Maio, 2008 às 17:30
Na minha opinião, ética si, sempre….agora transparência, nem sempre é possível. No jornalismo então, isenção e objetividade? Acho impossível!!!