No momento só consigo pensar na fluidez da vida. E como são amorfos os seus contornos. O que é que temos afinal? Um chip que se desliga, uma alma que deixa o corpo vazio? Que instantaneidade é essa que sempre nos surpreeende e choca. Você fala com alguém na sexta e na segunda ela está em coma. Que lugar será esse? O lugar da passagem e do tempo da aceitação? Meu sentimento é de absurdo e tristeza.
Deco Lima e o Combinado, você já ouviu falar? Se não, é hora de você se ligar e ouvir o som desta banda que tem uma mistura bem temperada de rap, samba, com batidas que lembram o maracatu e às vezes a festa de Nossa Senhora do Rosário, sabe assim… Só sei que é muito bom, contemporâneo sem ser modernoso, com uma linguagem pop torneada pelo rock.
O show de lançamento do cd foi no Projeto Steroteca e estive lá presenciando o amadurecimento musical de “velhos” amigos. Fomos todos contagiados pela delícia de compartilhar a arte e de nos sentirmos um pouco artistas, uma catarse geral.
Vendo a novela global A Favorita, que por sinal tô achando bem legal, evitando alguns clichês e personagens maniqueístas, percebi a presença quase despercebida do Eucalipto. Uma das indústrias do personagem principal Gonçalo Fontini (Mauro Mendonça) é de celulose e assim vira e mexe tem cenas de colheita de madeira de eucaliptos feita por maquinários. O que me parece interessante é mostrar ao público um eucalipto sem preconceitos e mitos, um insumo sustentável, já que vem de florestas plantadas abastecendo a industria para vários fins. http://www.celuloseonline.com.br/ e http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/

Platão propôs através de uma metáfora, como representação da vivência cotidiana, uma reflexão sobre o que é afinal realidade. E para atalhar, ele conclui que o que vemos é um simulacro, isto é uma representação de uma realidade, uma imagem, chamada de referente. A cadeira é um referente, mas a imagem da cadeira que cada um vê é um simulacro. Calma não se desespere, nós existimos!! Acontece que vivemos cada vez mais em mundo mundo de simulação, e a internet e outras tecnologias de comunicação trouxeram novas possibilidades de imagem, que certamente estarreceriam Platão. Antonio Fatorelli e Fernada Bruno são os organizadores do livro Limiares da Imagem - Tecnológia e Estética na Cultura Contemporânea, que fala disso para nós , vale a pena ler!! Aproveito e dou um exemplo deles: ” Vemos um míssil ser disparado de um navio, num vídeo game, e esse míssil atinge a biblioteca da cidade. Vemos um míssil ser disparado de um navio , em uma guerra, e esse míssil atinge uma biblioteca de uma cidade. No primeiro caso a destruição é de mentirinha e no segundo a destruição é real. Mas a imagem que transporta estas duas cenas, e que anteriormente nos permitiria distinguir entre encenação e referente, não mais possibilita distinção”.
Quer um exemplo melhor disso do que o Second Life? Deixo nesse espaço “virtual ” apenas essa pitada, pois acho que o tema pede mergulhos mais profundos… “É sempre uma questão de provar o real através do imaginário, de provar a verdade pelo escândalo, de provar o trabalho por intermédio da greve, de provar o capital pela revolução“(Baudrillard).
Tive um daqueles encontros que não sairão tão cedo da minha memória. Foi com o professor Clovis de Barros , da USP , escutando uma palestra. No meio de tanta mesmice, a fala dele foi como “um sopro de vida”.
Com sua voz forte, sotaque paulista, 1,80 m de altura e vociferando suas idéias, entremeadas com um senso de humor oportuno e moderno, ele quebrou tudo, tudo mesmo!! E isso é que foi sensacional, ouvir alguém refletindo sobre ética, sua especialidade acadêmica, sem hipocrisia.

