Comunicação Interna 3.0 e as mudanças de paradigmas

Comunicação Interna 3.0

Comunicação Interna. O que mudou com as novas tecnologias?

O mundo mudou! A comunicação Interna mudou!

Disso ninguém tem dúvidas. As novas tecnologias, principalmente, promoveram uma revolução na maneira de as pessoas se relacionarem.  Na perspectiva dos novos arranjos sociais da chamada sociedade da informação, a comunicação, como seu principal fenômeno, democratizou as informações, mudando a dinâmica de interação das empresas se relacionarem com seus públicos. A Comunicação Interna mudou! Mudou a própria empresa, diminuindo as hierarquias e reestruturando as formas de poder e de comunicação.

Na relação com o público interno – aquele que está dentro das fronteiras da empresa, representada pelos funcionários, fornecedores, terceirizados –, as empresas deixam de ser apenas emissoras da informação passando a sediar um espaço de trocas, uma “zona de contato”, onde se é, ao mesmo tempo, emissora e receptora e os papéis de cada um nessa comunicação são intercambiados, o discurso é compartilhado e recriado a partir do entendimento do outro.

Porém, esse processo não se dá de forma linear ou mesmo sem tensões. Pois é permeado por contradições, imperfeições, constituintes das próprias relações sociais e humanas. Nas relações entre empresa e público interno essa complexidade também é percebida.

AS MUDANÇAS DE PARADIGMAS NA COMUNICAÇÃO INTERNA 3.0

Tomando emprestada a visão do marketing empresarial, podemos ver, esquematicamente, as mudanças de paradigmas com mais clareza:

No Marketing 1.0: o foco era no produto. O objetivo da empresa era vender e o consumidor era tratado em massa (Período do fordismo. Décadas de 1960 e 1970). E o discurso jogava luz nos benefícios e vantagens do produto.

No Marketing 2.0: o foco se desloca para o consumidor. O objetivo da empresa é satisfazê-lo, pois ele já é um consumidor mais informado, mais exigente (Sociedade da informação. Décadas de 1980 e 1990). O discurso aqui é individualizado e visa mostrar como o produto vai ajudá-lo na conquista de seu bem-estar.

No Marketing 3.0: o foco se volta para os valores humanos (Pós-modernidade. A partir do ano 2000). O consumidor é mais engajado em movimentos coletivos (redes sociais), na situação do planeta em que vive. E o consumismo é apontado como razão de muitos problemas ambientais. O discurso da empresa migra para o coletivo, para o desenvolvimento de um mundo melhor para todos. O produto em si já “não importa”, o que vale é o prazer que ele traz a experiência.A estudiosos que apontem uma nova mudança , que seria nesta logica o marketing .4 , mas pessoalmente ainda não vejo diferenciações consistentes que justifiquem.

Assim, a abrangência desses fenômenos e de seu poder de transformação gerou uma reestruturação no contexto empresarial, por meio da mudança de comportamento dos sujeitos sociais.

COMO SE CARACTERIZA O PÚBLICO INTERNO ATUAL

  • Temos um público interno 3.0, que, enquanto indivíduo e grupo, é mais exigente, mais consciente, mais conectado.
  • Acostumado a manifestar opiniões nas redes sociais, a se posicionar e a criticar marcas e empresas enquanto consumidor, por exemplo, nos sites de reclamação, dispostos a compartilhar as próprias impressões com amigos e seguidores.
  • O publico interno é múltiplo. É também externo, enquanto sujeito, cidadão mais participativo na sua comunidade.
  • Ao escolher uma empresa para trabalhar, os funcionários 3.0 pensam em seu bem-estar, se o ambiente de trabalho é saudável psíquica e fisicamente e, principalmente, se os valores da empresa batem com os deles.
  • Os funcionários 3.0 são os novos protagonistas e isso tem que estar claro nas estratégias de comunicação interna.

O QUE NÃO FAZER NA COMUNICAÇÃO INTERNA 3.0

  • Transmitir informações da alta administração, de cima para baixo e esperar que os funcionários apenas as aceitem sem reinterpreta-las.
  • Fazer textos “chapa branca” onde o presidente e os diretores da empresa são sempre os protagonistas.
  • Usar apenas as ferramentas tradicionais, como murais, jornais, revistas, evitando os meios digitais, como intranet, site e, mais recentemente, whatsapp e redes sociais corporativas.
  • Desqualificar a rádio peão como fofoca de corredores. Na comunicação interna 3.0, ela é considerada uma comunicação genuína, inclusiva, feita de forma mais horizontal. A rádio peão é o espaço onde se criam brechas para construção de novos sentidos e de ressignificação das mensagens institucionais, oficiais.

No entanto, é importante alertar para uma questão de fundo: a inovação no uso dos meios digitais não garante a efetividade da comunicação com os funcionários. O essencial é a empresa não ter medo da interação, de ouvir a opinião deles, porque, ainda que sejam dissonantes, é improvável que sejam de ataque à empresa. Ninguém quer perder seu emprego, não é mesmo?

Além disso, vivemos um momento de transição onde as mídias tradicionais e digitais vão coexistir e ser úteis por muito tempo ainda, permitindo um mix de comunicação amplo e que atenda a diversidade que compõe o público interno, considerando idade, grau de estudo, acesso às novas tecnologias, etc.

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